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Tudo o que precisas de saber sobre o Bullying

O mês de Outubro vem colocar tónica na prevenção e combate ao Bullying, enquanto fenómeno social em constante crescimento. Apesar da onda de sensibilização para esta problemática, muitos são os que ainda têm dúvidas sobre o que é, como se carateriza, como se identifica e igualmente importante, como intervir.

Neste artigo vais encontrar tudo o que precisas saber sobre o Bullying.

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Em primeiro lugar é importante distinguir o Bullying da violência, conceitos que ainda suscitam alguma confusão. Estamos perante um caso de violência quando alguém, com recurso a comportamentos agressivos, entra no espaço íntimo do outro com o intuito de exercer controlo sobre essa pessoa, tem um carácter isolado, pontual e as suas consequências são visíveis a curto prazo.

O Bullying, por sua vez, carateriza-se por ser uma violência que transcende o físico, continuada no tempo, repetitiva, intencional, exercida por um indivíduo mais forte sobre alguém incapaz de se defender. As consequências destas acompanham a tendência de se prolongar no tempo e são muitas vezes ocultadas pelas vítimas.

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Ao contrário do que acontece com a violência em que as consequências apenas são visíveis na vítima, o Bullying tem mais que dois intervenientes e todos eles sofrem as consequências do processo, nomeadamente, os agressores, as vítimas e os espetadores.

Contudo, os indicadores da sua ocorrência são identificáveis, principalmente, na vítima, sendo eles:

  • Dificuldade em se concentrar na aula
  • Mudança repentina de rotinas
  • Desinteresse por eventos promovidos pela escola
  • Queda acentuada das notas escolares
  • Alteração da postura durante o fim-de-semana
  • Pesadelos e insónias

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  • Marcas físicas sem explicação
  • Dificuldades na fala que não se verificavam
  • Alteração do apetite
  • Tendência para carregar instrumentos para se proteger
  • Material constantemente perdido ou danificado
  • Súbita mudança de comportamento (ex. Molha a cama, rói as unhas…)
  • Chora muito, quer mudar de escola e torna-se rebelde ou agressivo quando o tentam abordar.

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Causas e consequências

O Bullying é um fenómeno que tem sido alvo de estudos sociais que tentam explicar e compreender as causas que o motivam e reforçam o seu aparecimento. Assim, são várias as possíveis causas que foram avançadas e apontadas como preditores do seu aparecimento e que devem ser alvo de especial atenção.

Entre as possíveis causas, encontram-se:

  • Preferência inata por pessoas que consideram mais atraentes, estando disponíveis para maltratarem pessoas que julgam menos atrativas fisicamente
  • A personalidade e caraterísticas individuais e pessoais das crianças fomentam a maior predisposição para ser agressora em casos de crianças mais impulsivas ou vitimas quando são mais introvertidas ou tímidas
  • Preferências aprendidas pelas pessoas de referência e sociedade, a reprodução de modelos aprendidos
  • Confiança na própria superioridade e egocentrismo, em que crianças pequenas são naturalmente egocêntricas e que quando não ensinadas a ser tolerantes faz com que evitem o relacionamento com outros ou ajudá-los, afetando a sua empatia
  • Exposição à violência nos meios de comunicação, em que estudos comprovam que a violência aumenta entre 3 a 15% comportamentos agressivos entre crianças
  • Preconceitos, sabendo que as crianças a partir dos 5 anos incorporam estereótipos e crenças socialmente enraizadas como verdades absolutas e agem em conformidade delas
  • Inveja, mais comum no sexo feminino, e em escolas em que as classes sociais são mais evidentes
  • Proteção da autoimagem e medo da rejeição, que faz com que evitem o relacionamento com pessoas externas ao grupo de pares e fiquem submissos ao agressor
  • Compensação do sofrimento protagonizado por crianças vitimizadas que faz com que se revoltem numa forçada tentativa de compensar o sofrimento sentido e também eles se tornam potenciais agressores
  • Ambiente familiar desestruturado que aumenta a probabilidade da criança se tornar vítima ou agressora, mediante a sua resiliência, devido a carência afetiva, ausência de limites claros, excesso de liberdade, reprodução de práticas educativas violentas, fraca orientação e supervisão e expulsões emocionais; baixa autoestima e sentimento de inadequação que transferem para crianças mais frágeis
  • Recompensa da agressão, em que a escola ao ignorar comportamentos agressivos, permite ao Bullie ser o centro das atenções e que seja respeitado pelo controlo exercido e ambiente da escola inadequado, por exemplo, alta rotatividade dos professores, padrões de comportamento indefinidos, métodos de indisciplina incoerentes, organização e supervisão ineficientes da sala de aula e áreas comuns, professores que se atrasam e gritam com frequência, intolerância à diferença, inexistência de políticas antibullying, agressões ignoradas por funcionários e falta de mecanismos de apoio às necessidades educativas especiais.

Embora as consequências sejam mais evidentes nas vítimas, elas são transversais a todos os envolvidos.

É frequente verificarem-se algumas consequências nas vítimas como:

  • sintomas psicossomáticos (dor de cabeça, cansaço crónico, insónias, dificuldades de concentração, náuseas, diarreia, boca seca, alergia, crises de asma, tremores, tonturas, desmaios…)
  • Ansiedade e ataques de pânico, caraterizados por medo intenso aparentemente sem motivo, taquicardia e insegurança
  • Fobia escolar comprovada pelas várias repetências, problemas súbitos de aprendizagem
  • Fobia Social ou Ansiedade Social denunciada pela timidez patológica, ansiedade excessiva, medo constante de ser avaliado ou julgado negativamente, pesadelos, dificuldade de relacionamento interpessoal
  • Ansiedade Generalizada marcada pela insegurança persistente em todas as situações
  • Depressão, tristeza, sentimentos de culpa e de inutilidade, insónia ou excesso de sono, pessimismo, perda de interesse por atividades que gostava e tentativa de suicídio; anorexia e bulimia derivada pela distorção da imagem corporal
  • Perturbação Obsessiva Compulsiva com predomínio de pensamentos intrusivos e repetitivos
  • Perturbação de Stress Pós-Traumático que fomenta uma frieza com os próximos e ausência de competências sociais.

O próprio agressor tem consequências que podem ser bastante prejudiciais a longo prazo, nomeadamente, a crença na força para a solução de problemas, dificuldades em respeitar a lei e tornando-se mais suscetíveis às consequências que daí advém, dificuldades na inserção social, problemas de relacionamento afetivo e social, incapacidade ou dificuldade de autocontrolo e maior probabilidade de assumirem comportamentos antissociais.

A peculiaridade do Bullying, em comparação com outros fenómenos de violência escolar, é o facto de as consequências verificadas nos espetadores que se constatarem a curto, médio e longo prazo. Estes sentem-se muitas vezes impotentes, psicologicamente pressionados e com medo de serem as próximas vítimas; aprendem a valorizar e reforçar comportamentos agressivos e maior propensão para os adotar futuramente.

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Intervir e prevenir

A escola deve ser a principal interveniente na prevenção e erradicação do Bullying em contexto escolar, com medidas planeadas, coincidentes com as necessidades identificadas e com proposta de soluções para o problema encontrado. Nestas, é de imperativa importância o desenvolvimento de ações de convívio social que fomentem relações interpessoais e os direitos de cidadania, independentemente de caraterísticas pessoais e individuais. Para tal, o estabelecimento de ensino deve diagnosticar os emergentes casos de Bullying e outras formas de violência, numa perspetiva formada, informada e sensibilizada.

Assim, são várias as possíveis estratégias que podem ser adotadas pelo estabelecimento de ensino, num panorama mais participativo e que envolva todos os alunos, ou seja, elaboração abaixo assinados antibullying, grupo de voluntários na supervisão em áreas de risco na escola, caixa de denúncia do Bully, horários de intervalos diferenciados entre os alunos mais velhos e mais novos e uniformes que eliminem as diferenças de classes sociais que podem fomentar situações de descriminação e violência indireta.

 

Márcia Ferreira, técnica superior de educação

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