O mês de Maio deu o “pontapé de saída” à época das avaliações escolares/académicas de final do ano letivo: testes, provas de aferição, frequências, exames, muitas vezes decisivos para a nota final e consequentemente para a transição de ano, são as principais causas para que 1 em cada 9 crianças sofram de ansiedade, número apontado em 2009 por Primo e Amorim, e que tem demonstrado tendências visíveis para o seu agravamento.
É considerado um estado de ansiedade, o nervosismo, tensão e sensação de mal-estar perante uma situação avaliada como ameaçadora e de difícil gestão que provoca sentimentos de desadequação e impotência que se manifestam ao nível cognitivo, emocional, fisiológico e comportamental.
Apesar de uma resposta inata e até positiva, em pequenas doses, por servir de motivação e permitir que a criança/jovem esteja em alerta e propicia a responder aos estímulos que a rodeia, elevados níveis de ansiedade estão muitas vezes na origem da falta de preparação ou baixo desempenho nos exames, uma vez que interferem no estudo.
O que para muitos pais é considerado preguiça e procrastinação, pode ser um cenário preocupante de ansiedade que está a interferir com as suas notas.
Vamos ver alguns sintomas que ocorrem antes, na aproximação e durante o exame.
Antes do Exame
- Pensamentos recorrentes sobre a matéria em que se tem mais dificuldade, pensando que esta será a mais valorizada na avaliação
- Recordação de provas que correram menos bem
- Substituir as horas de estudo por outras tarefas menos importantes para as provas, como arrumar o quarto, ver um filme, etc.
- Arranjar desculpas para não estudar
- Dificuldade em compreender a matéria
- Capacidade de atenção e concentrarão comprometida
Aproximação do Exame
- Colocar em causa os seus conhecimentos
- Reorganização recorrente do horário de estudo mas dificuldade em cumpri-lo
- Desistir do estudo por pensar que não é capaz e que não estará preparado
- Preparação apressada e à última da hora, o que origina ainda mais tensão, preocupação e ansiedade
Durante o Exame
- Sensação física de mal-estar (dores de barriga, cabeça, tonturas…)
- Pensamento e sensação de incompetência
- Esquecimentos (“brancas”)
- Atenção e concentração alteradas
- Desempenho inferior às capacidades
- Insegurança e tristeza
- Autocrítica por vezes destrutiva
- Pouca confiança
- Vontade de desistir que, muitas vezes, acaba por se concretizar
Para inverter esta situação, e atenuar as suas consequências, é importante perceber se se trata de uma ansiedade racional ou irracional.
Na ansiedade racional, causada por exemplo por falta de métodos de estudos, é importante procurar ajuda especializada.
Na ansiedade irracional, tal como acontece numa autoavaliação infundada centrada na percepção e autocrítica, deixamos aqui algumas dicas que podem ajudar a diminuir este estado.
Antes do Exame
- Ter consciência das suas capacidades reais
- Relaxar (respirar fundo e lentamente, espreguiçar, etc.)
- Preparar-se com antecedência para o exame
- Pensar positivo
- Planear e organizar o horário de estudo, cumprindo-o
- Eliminar possíveis distratores durante o estudo (telemóvel, objetos coloridos ou lúdicos, etc.)
- Recompensar pequenas conquistas
- Procurar motivação a curto e médio prazo
- Rever calmamente a matéria na véspera do teste, mas sem deixar de dormir
- Fazer intervalos de 5 a 10 minutos entre as horas de estudo
- Ter hábitos saudáveis como dormir e comer bem
- Resolver provas antigas
- Não se automedicar nem procurar ‘milagres’
- Perceber que também deve dar atenção à parte lúdica, sair com amigos, divertir-se, descansar e não se isolar
Dia do Exame
- Chegar com antecedência
- Não discutir a matéria antes da prova
- Fazer uma primeira leitura integral da prova, antes de iniciar, fazendo já algumas notas que forem surgindo
- Realizar primeiro as questões que considera mais fáceis e rápidas
- Ter expetativas realistas
- Não se deixar influenciar pelo desempenho dos colegas (respostas mais longas e realização mais rápida da prova não são indicador de melhor desempenho e resultado)
- Em caso de bloqueio, não desistir, fazer uma pausa, abstrair-se por breves momentos, respirar fundo, contar de 10 a 0 e escrever palavras-chave
- Controlar o tempo necessário para cada questão
- Fazer pequenos esquemas de respostas para melhor organização e para não se esquecer de nada
Depois do Exame
- Não cismar nem pensar na prova
- Quando os resultados estiverem disponíveis, perceber onde errou para saber corrigir e melhorar
Embora estas dicas ajudem a que a criança/jovem se sinta mais preparada e confiante para a realização da prova de avaliação, é importante trabalhar a sua autoestima e estratégias de coping, que dependem de um adequado auto-conhecimento e das suas experiências individuais. Sendo determinante, para isso, a forma como são ensinadas e motivadas para estudarem e terem boas notas.
Nos casos em que as dicas apresentadas são insuficientes, podemos estar perante um cenário de ansiedade como problema de saúde e que necessita de ajuda especializada. Não hesite em procurar, visto que um cenário de ansiedade pode ter um efeito de bola de neve e transcender a outras áreas da vida e funcionalidade em meio social.



Uma opinião sobre ““Eu não vou conseguir passar de ano!” Ansiedade – truques e dicas para a controlar”